The Walt Disney Company anunciou que vai substituir os enfermeiros sindicalizados que atuam em seu histórico estúdio de Burbank por profissionais terceirizados, menos de um ano após firmar um novo acordo coletivo com a IATSE (International Alliance of Theatrical Stage Employees).

Mudança no modelo de atendimento médico
De acordo com informações publicadas pelo Deadline, a empresa notificou a IATSE Local 80 — sindicato que representa enfermeiros de estúdio e outros profissionais técnicos — sobre a decisão de acionar uma cláusula prevista no Acordo Básico da categoria. A medida autoriza a contratação de enfermeiros por meio de uma empresa de serviços médicos, que ficará responsável por fornecer a equipe.
Fontes ligadas ao estúdio informaram que a mudança impactará apenas o complexo de Burbank e que os serviços médicos oferecidos aos funcionários permanecerão inalterados. A justificativa oficial seria a busca por maior agilidade nos processos internos de gestão, escalas e relatórios administrativos.
Ainda não há uma data definida para a transição, mas a notícia já repercute entre os trabalhadores. Uma petição online que pede à Disney a manutenção dos enfermeiros sindicalizados no estúdio já ultrapassou 700 assinaturas.
Questão sindical em destaque
O contrato coletivo da IATSE com os estúdios de Hollywood proíbe a terceirização apenas em funções que nunca tenham sido desempenhadas dessa forma dentro da unidade de negociação conjunta. Esse detalhe abre espaço para a decisão da Disney, já que cargos de enfermagem foram terceirizados anteriormente, como no caso da Universal Studios em 1989.
Essa cláusula foi um dos pontos mais delicados das negociações no ano passado entre a IATSE e a AMPTP (Alliance of Motion Picture and Television Producers). A liderança sindical chegou a gastar horas tentando retirar completamente esse trecho do acordo, sem sucesso.
Uma tradição de 85 anos em risco
Os enfermeiros sindicalizados fazem parte da rotina dos estúdios Disney em Burbank há 85 anos, tradição que começou com o próprio Walt Disney. Após sofrer um acidente de polo que lhe causou uma lesão no pescoço, Walt passou a ser cuidado pela enfermeira Hazel George, que se tornou uma de suas confidentes mais próximas.
Hazel, além de cuidar da saúde do criador da Disney, teve papel importante no financiamento inicial da Disneyland, em 1952, ao mobilizar funcionários do estúdio para apoiar financeiramente o projeto visionário. Mais tarde, chegou a colaborar como compositora antes de retornar à enfermagem e acompanhar Walt até sua morte, em 1966.
Atualmente, os enfermeiros do estúdio são responsáveis por prestar atendimento imediato a elenco, equipe técnica e executivos, além de monitorar protocolos de saúde e segurança nos sets de filmagem.
Reações ao anúncio
DeJon Ellis, gerente de negócios da IATSE Local 80, criticou duramente a decisão:
“A justificativa oficial é de que a empresa quer sair do negócio de fornecer diretamente atendimento médico, alegando questões de responsabilidade jurídica. Mas, para mim, isso é um ataque ao sindicalismo e uma forma de usar a linguagem do contrato contra os trabalhadores.”
Segundo Ellis, a cláusula que possibilita a terceirização foi alvo de intensas discussões durante a negociação do acordo coletivo:
“Lutamos muito para retirar ou ao menos limitar esse ponto. Afinal, de que adianta ter um contrato se o empregador pode simplesmente terceirizar nossas funções?”
Futuro em debate
A decisão da Disney abre um novo capítulo nas relações entre grandes estúdios e sindicatos de Hollywood, levantando debates sobre tradição, direitos trabalhistas e a forma como empresas buscam equilibrar custos e responsabilidades.
Com uma história que mistura cuidado humano, bastidores de produções lendárias e até mesmo o nascimento da Disneyland, o papel dos enfermeiros sindicalizados no estúdio de Burbank se mostra muito maior do que uma simples função administrativa.
Acompanhe de perto os próximos desdobramentos dessa história que pode redefinir relações de trabalho em Hollywood. Continue ligado para mais atualizações sobre os bastidores da Disney e da indústria do entretenimento.
Fonte: Laughing Place

